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Evocar memórias – escrita sobre livros esquisitos

Memórias presentes

Livros Esquisitos – Janeiro/2020, Sesc Belenzinho

A proposta aqui é trazer o que está longe para os sonhos de terra, no hoje. Colher um pouco do que já foi plantado e semear mais para ver o que nasce.

Foram vinte encontros-oficinas em janeiro, mês de férias, verão. Nossa primeira experiência extensa com oficinas em um único lugar, e assim criamos ritmos com as ferramentas que tínhamos em mãos. Começar em mesas e cadeiras e testar, ir para o chão e testar, tatear as possibilidades de vivenciar o “oficinar” como encontros de afetos e vozes.

Não queremos que as pessoas somente estejam ali de passagem, queremos causar algum tipo de movimento entre todas, estar em coletivo e em relação, ouvir e dizer sobre o presente momento – memórias presentes.

Memórias na terra

Agora evocamos as memórias dos encontros para nós e compartilhamos delas com outras pessoas. É um jeito de dizer daquilo que foi e pensar o fazer no agora, inventar meios, trazer as memórias para também saber que produzimos ideias, ações, educações, brincadeiras, afetos e talvez tantas outras coisas. Muitas vezes não olhamos para o que fazemos, vamos no automático e assim não percebemos e nem pensamos sobre.

A proposta aqui é trazer o que está longe para os sonhos de terra, no hoje. Colher um pouco do que já foi plantado e semear mais para ver o que nasce.

Nas oficinas brincamos e criamos pretextos para que as memórias das participantes brotem. Isso se dá nos jeitos em que montamos o espaço, nos materiais que usamos, nos modos de dizer. Assim, caminhamos para livros esquisitos: livros que precisam ser preenchidos, livros com suas capas de papelão, livros que possuem dobras secretas e livros que também são bichos.

Memórias livro

É uma troca, não oferecemos tudo, há um fio que pode ser tensionado, trançado, amarrado, solto, cortado e eteceteras.

Experienciamos também o fazer memória-livro. Então abrir espaço para estar juntas nas escutas e nas falas, repassar o que já foi passado, é vida que acontece em pequenos gestos, é lembrar do cheiro do peixe que o pai pescava, ou das ervas que a mãe cultivava, ou das brincadeiras que viveu. Estar presente no passado, e estar presente no hoje. Passos de ontem e encantado agora, dizer aos outros as memórias de vida por quais passamos, talvez reviver algumas memórias seja isso de encantar o que já foi vivido, tornar história dita. Uma memória sonhada, às vezes meio vivida meio inventada, e aquela memória de cheiro. Tempero de ser gente.

Em “pequenas memórias nas pontas dos dedos” evocamos memórias, criamos um caminho que pode dar caldo ou não, temos ali um certo limite que pode ser expandido e isso não depende somente de nós, às vezes somos surpreendidos e em outros momentos pouco acontece fora do previsto. É uma troca, não oferecemos tudo, há um fio que pode ser tensionado, trançado, amarrado, solto, cortado e eteceteras.

paulo oluá verão de 2020/são paulo de piratininga

Este é o primeiro texto da série de memórias a partir da experiência de oficinas Livros-esquisitos no Sesc Belenzinho, no mês de janeiro de 2020. Nas próximas terças teremos mais dois textos: Espaços lembrados y Aguaceiro.

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​mínimo diário, coletivo de outras artes-histórias

primavera de 2020, em são paulo de piratininga

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