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as ventanias do livro dos abraços, de eduardo galeano

Já fazem alguns anos. É. Devo ter lido o livro em 2012. E foi um livro perseguidor. Tentava ler e após um tempo para. Tentava e depois parava. Não podia simplesmente lê-lo de uma vez. Era preciso tempo. Ele já era um livro de cabeceira.


O livro dos abraços possui algumas peculiaridades. Sua composição em pequenos contos, que conversam com seus estranhos e enigmáticos desenhos. A sensação ao ler O livro dos abraços é extremamente doce, terna e quente como receber um abraço. E ao mesmo tempo, O livro dos abraços é extremamente forte, denso e fundo como quando precisamos de um abraço.

O livro possui uma narrativa saborosa. À todo momento Galeano se apresenta ali conosco, ele está sentado com você e olha  seu rosto e conta um de seus causos. Alguns deles tiram risos grandes, outros pequenas risadas e existem outros mais crus como agulhadas de realidade. E se fala sobre muito: televisão, arte, literatura, sonhos, memórias, burocracia e outras infinidades.

Dentro desse pequeno livro existem muitas pessoas. Livro de histórias. Cada página é adentrar dentro de memórias de tantas gentes. É relembrar seus momentos. E presenciar um homem compartilhar com seus leitores as duras histórias ouvidas em sua vida. E todos só passam uma mensagem: caro amigo, lutemos, brindemos, cantemos e sigamos.

Finalizo como aprendi com Galeano a finalizar:

Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara. (Ventania, de Eduardo Galeano)
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