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Caminho do amanhecer, uma história coletiva

Escreve, rescreve, adiciona algo, retira alguma coisa. Pensa, repensa. Sente, ressente. Escreve, reescreve. E vai assim, até dar forma.

Caminho do amanhecer é uma história que nasceu faz pouco tempo. E a gente se pergunta, como uma história nasce. Será que é desejar e escrever? Ou é a própria história que deseja e caça alguém pra escrevê-la? E será que demora bastante tempo passando de geração em geração até encontrar uma voz? Ou nasce assim, de uma única pessoa mesmo? Será que tem resposta pra história das histórias? Precisa? Parece um fio sem fim de perguntas…

Um jeito de nascer história coletiva

A gente tem proposto fazer histórias agora. E permitir que essas histórias aconteçam no encontro. Durante a oficina Gesto de fazer, a gente convida as pessoas a contarem coletivamente uma história a partir de um jogo. Vou explicar de um modo bem rápido. A gente tira uma carta, de um baralho de imagens que produzimos, e alguém começa a contar. Depois uma segunda carta, e uma segunda pessoa continua a história. E assim vai, costumamos usar de 6 a 10 cartas até a história germinar. Alguém do coletivo, sempre fica a espreita com a responsabilidade de transcrever tudo que foi narrado, passando pro papel as imagens criadas. Tem sido um modo de se fazer história coletiva no encontro entre pessoas e jogo.

"Histórias importam. Muitas histórias importam. Histórias têm sido usadas para expropriar e tornar maligno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida." Chimamanda Ngozi Adichie, em O perigo de uma história única

Depois disso, a história fica aqui convivendo com a gente até chegar a hora de transcriá-la. Deixar sair do broto pra se tornar planta. Escreve, rescreve, adiciona algo, retira alguma coisa. Pensa, repensa. Sente, ressente. Escreve, reescreve. E vai assim, até dar forma. Algumas inclusive depois florificam em livros. Queremos sentir outras imagens e por isso fazemos encontros de tecer livros, outras artes-histórias. Já contei por aqui como nasceu também Chá de boldo, a partir do mesmo exercício de encontros.

Pra fechar, compartilho a Caminho do Amanhecer, a primeira história nascida nesse exercício. A história coletiva nasceu na oficina Gesto de fazer por Mariléia Silva, Taísa Belém, Virgínia Magalhães y vinicius airumã. E depois passou pela transcriação de Ana Lima, paulo Oluá y vinicius airumã. Segue primeiro a versão transcriada e, em seguida, a versão como foi narrada e registrada pela primeira vez. Depois comenta pra gente o que sentiu.

Caminho do amanhecer

Um dia uma mulher estava dormindo e seu cão começou a latir. Quando abriu a porta não viu mais a rua, e sim um rio. Entrou no rio, não sabia bem porquê. Viu uma nuvem em formato de pena:

Vem, vem, você vai escrever comigo.

Algo mais naquela noite corria, uma criança pelo rio, latindo e trazendo objetos. Um único lhe chamou a atenção: uma bota. Sentiu um toque em seus ombros. Olhou pra cima e a nuvem esfarelava flores de ypê. Calçou a bota e correu com os pés molhados, seguia enquanto pétalas amarelas choviam em seu corpo.

Na outra margem, avistou uma bicicleta com um pássaro amoroso: Qual caminho você caminha? Qual direção você quer ir? Enquanto o pássaro perguntava, ela dizia: o caminho de casa. Trocou, então, a bota pela bicicleta. Pedalando, foi para casa e da janela viu o rio amanhecer.

História coletiva narrada no jogo

Um dia uma mulher estava dormindo e seu cão começou a latir sem parar. Quando abriu a porta viu que não tava na rua de sua casa, tinha um rio na frente. Entrou no rio, não sabia porque e viu uma nuvem em formato de pena que falava: vem, vem, você vai escrever comigo. E então quando viu a pena e chamou para algo mais ela viu uma criança, sua criança interior que sonhava em ser um cachorro. E essa criança tinha muita imaginação, via muitos objetos no meio da noite e achou uma bota. E aí essa mulher seguiu andando e pegou a bota. Ela olhou pra cima, a nuvem começou a esfarelar e choveu flores de ypês. Calçou a bota, andando com o pé molhado e foi seguindo enquanto o ypê continuava a chover pétalas. Até que foi seguindo e avistou uma bicicleta com um pássaro amoroso e perguntou qual caminho ela caminha e qual direção queria ir. Então quando o pássaro pergunta qual história que seguir ela fala: o caminho pra casa. Chegando em casa com uma bota só ela sentou na janela para ver o amanhecer.

História para ouvir e ver

E quem preferir ainda tem a opção de conhecer essa história em formato livro e narrada pela paulo Oluá. É só clicar:

vinicius

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